O Dia em que Singapura Vendeu a Rede D’Or


MedMoney Talks

Inteligência econômica para médicos que pensam além da medicina

Edição #007 | 16 de abril de 2026

O dia em que o maior fundo do mundo vendeu a maior empresa de saúde do Brasil

Tempo de leitura: ~14 minutos


Uma e quarenta da madrugada. O corredor da UTI tem aquele silêncio que só existe depois que o último alarme para de tocar. Você acabou de sentar, pela primeira vez em seis horas, numa cadeira de plástico que range. O café está frio. O celular vibra.

Mensagem no grupo dos médicos investidores: “GIC saiu da Rede D’Or. R$ 2,5 bilhões. Block trade.”

Colega… respira.

Eu sei o que você sentiu. Não foi medo pelo emprego. A Rede D’Or não vai fechar, não vai demitir, não vai encolher. Foi aquele calafrio sutil que só quem tem a ação na carteira conhece… o mesmo calafrio de quando o monitor cardíaco muda de ritmo e você ainda não sabe se é artefato ou arritmia real.

Eu estava na sala de estar quando a notícia chegou. Minha esposa perguntou porque eu fiquei olhando o celular. Eu disse: “Um dos maiores fundos soberanos do planeta acabou de fazer exatamente o que eu ensino nos 4 pilares. Rebalanceou.”

E a ironia é que a maioria dos médicos que tem RDOR3 na carteira vai fazer o oposto do que o GIC fez. Vai entrar em pânico. Vai vender na baixa. Vai transformar um rebalanceamento soberano num prejuízo pessoal.

Esta edição existe para que você não seja essa pessoa.

Vamos conversar sobre o que realmente aconteceu esta semana, sobre o que significa para o seu patrimônio, e sobre por que a disciplina continua sendo o único remédio que funciona em qualquer cenário.

1. Rede D’Or e GIC: R$ 2,5 bilhões e o que o mercado não te contou

Vamos aos fatos, porque fatos importam mais do que manchetes.

O GIC, fundo soberano de Singapura com US$ 770 bilhões sob gestão, vendeu 62 milhões de ações da Rede D’Or a R$ 40,70 cada, com desconto de 4% sobre o fechamento anterior. O JP Morgan coordenou a operação. O volume negociado no dia atingiu R$ 2,8 bilhões até as 13h, trinta vezes a média diária de R$ 82 milhões. A RDOR3 caiu 6,11%.

Agora, o que ninguém te conta.

O GIC não vendeu porque a Rede D’Or está mal. O GIC vendeu porque gerencia um portfólio de US$ 770 bilhões e precisa rebalancear posições periodicamente. É exatamente o que ensinamos no pilar P4: rebalanceamento não é sinal de desconfiança, é sinal de disciplina. O fundo soberano de Singapura fez com a Rede D’Or o que você deveria fazer com qualquer posição que cresceu além do percentual-alvo na sua carteira.

Pense comigo. Um neurocirurgião não abandona uma técnica porque o paciente sangrou durante o procedimento. Ele controla o sangramento e segue o protocolo. O GIC controlou sua exposição a um único ativo e seguiu o protocolo de gestão de risco. Nada mais.

Fundamentos sólidos

Os fundamentos da Rede D’Or continuam sólidos. Lucro de R$ 4,8 bilhões em 2025, crescimento de 22,7%. Receita bruta de R$ 60,4 bilhões. EBITDA de R$ 10,4 bilhões. A Sul América, controlada pela Rede D’Or, entregou EBITDA 75,7% maior. O endividamento caiu para 1,82x dívida líquida sobre EBITDA, um nível confortável. A empresa aprovou Juros sobre Capital Próprio de R$ 350 milhões para 2026.

O overhang existe, sim. O GIC ainda detém 17,7% do capital, o que representa cerca de 343 milhões de ações que podem, em tese, ser vendidas nos próximos trimestres. O lockup de 90 dias impede novas vendas imediatas. Mas o mercado precifica esse medo antes de ele se materializar.

E aqui está a pergunta que vale R$ 2,5 bilhões: se você é médico e trabalha na Rede D’Or, ou conhece a operação por dentro, você tem uma vantagem informacional que nenhum analista de banco possui. Você sabe que os corredores estão cheios, que as cirurgias não pararam, que a expansão em oncologia continua. A pergunta não é “a Rede D’Or é boa?”. A pergunta é: quanto da sua carteira deve estar concentrada num único setor que você já conhece demais?

O papel negocia a 17,5x o lucro estimado para 2026 e 14x o lucro de 2027. O BTG Pactual mantém preço-alvo de R$ 57, o que implica potencial de alta de cerca de 40% sobre o preço do block trade. O Santander também elegeu RDOR3 como principal recomendação no setor de saúde.

Para quem já tem posição: mantenha, mas não aumente até o overhang se dissipar.

Para quem quer entrar: considere compra gradual, 50% agora, 50% após o lockup de 90 dias.

E nunca, jamais, venda por pânico.

2. O tabuleiro global: Irã, petróleo e o verdadeiro árbitro da guerra

Enquanto o Brasil estava de olho na Rede D’Or, o mundo continuava de olho no Estreito de Ormuz.

As negociações de 21 horas entre Estados Unidos e Irã em Islamabad terminaram sem acordo em 11 de abril. Os impasses são profundos: programa nuclear iraniano, status do Estreito de Ormuz, ativos congelados, reparações. Em 12 de abril, Trump anunciou o bloqueio naval do Estreito, por onde passam entre 20% e 25% do petróleo mundial. A Marinha americana ampliou operações para o Golfo de Omã e o Mar da Arábia.

O Brent oscilou violentamente na semana. De US$ 95 para US$ 103 no pico após o anúncio do bloqueio, recuando para a faixa de US$ 95 a 101 com sinais de cessar-fogo. O prêmio de entrega no Brent atingiu US$ 30 acima do preço spot, indicando estresse real na cadeia de suprimento. Na ponta física, o petróleo de Omã tocou US$ 167 o barril, recorde histórico.

Mas o insight mais importante da semana não veio de um general. Veio do Kobeissi Letter no Twitter: “Bond yields will dictate how long Trump can continue pressure.” Os yields dos treasuries americanos de 10 anos subiram cerca de 50 pontos-base desde o início da guerra, saindo de 3,92% para 4,42%. O Kobeissi identifica uma “zona de reversão” entre 4,50% e 4,70%. Se os yields chegarem lá, Trump pode ser forçado a recuar.

Traduzindo para o português do médico: o mercado de títulos americanos é o verdadeiro árbitro dessa guerra, não os generais, não os diplomatas, não as manchetes. Se o custo de financiamento da dívida americana subir demais, a pressão sobre Trump virá do próprio mercado.

Impacto no Brasil

Gasolina subiu 4,59% só no IPCA de março. Diesel disparou 13,90%, encarecendo a ambulância, a logística hospitalar, o transporte de insumos. Petróleo acima de US$ 95 é a variável que pode pausar o corte da Selic em maio. Se o cenário pessimista se materializar, com petróleo a US$ 120 ou mais, teremos inflação elevada e possível alta de juros.

Cenário base (50% de probabilidade): o cessar-fogo frágil se mantém, o petróleo estabiliza entre US$ 90 e 100, e o Copom segue cortando a 0,25 ponto por reunião.

Cenário de cauda: existe. E quem tem 10% do patrimônio em dólar e ouro dorme melhor.

3. IPCA, Focus e a inflação que você já sente no bolso

Colega, eu preciso te contar uma coisa que você já sabe, mas talvez não tenha colocado em números.

O IPCA de março veio em 0,88%. A expectativa era de 0,77%. Os vilões: gasolina (+4,59%), diesel (+13,90%), passagem aérea (+6,08%), alimentos (+1,56%). No acumulado de 12 meses, estamos em 4,14%. No ano, 1,92%.

Mas o dado que mais me preocupa foi o do Boletim Focus de 13 de abril. Quinta alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026: agora em 4,71%. Era 4,36% na semana anterior e 4,10% há quatro semanas. O teto da meta é 4,50%. Estamos acima. E as medianas do Focus indicam que o IPCA acumulado em 12 meses ficará acima do teto por cinco meses consecutivos, de outubro de 2026 a fevereiro de 2027.

Bruno Perini colocou de forma provocadora no Instagram: a inflação no Brasil é persistentemente alta porque governos populistas se comportam como alcoolátras. O estímulo monetário dá uma sensação boa no curto prazo, economia aquecida, aprovação popular, mas a dependência vai se enraizando silenciosamente.

É uma analogia médica perfeita. A inflação é o alcoolismo macroeconômico. O paciente sente alívio imediato com cada dose de estímulo fiscal. Mas o fígado, que é o poder de compra do trabalhador, vai necrosando aos poucos.

Para o médico investidor, a proteção se chama Tesouro IPCA+. Com prêmios acima de 6% real, é a classe de ativo que protege contra exatamente esse cenário. É garantida pelo governo. É gratuita em termos de taxa de custódia na B3. E quase ninguém compra o suficiente.

Se você tem contratos de aluguel, honorários de consultório ou qualquer fonte de receita que não está indexada à inflação, esta semana é a semana de revisar. Cláusulas de reajuste não são burocracia. São sobrevivência.

4. O mercado de saúde, a bolsa e a janela do dólar

O Ibovespa renovou máxima histórica em 14 de abril, atingindo 199.043 pontos. Foram cinco dias consecutivos de recorde, onze altas seguidas. Alta acumulada de 22,4% no ano. Na quarta-feira, dia 15, o índice recuou 0,46%, fechando a 197.737 pontos. A realização, em algum momento, era inevitável.

Mas a realização de 0,46% após uma alta dessas não é sinal de problema. É sinal de saúde. Mercados que só sobem são mercados doentes, como o paciente assintomático que ignora o check-up. O fluxo estrangeiro de R$ 67,4 bilhões no ano é o verdadeiro termômetro. Enquanto o gringo estiver comprando, a tendência de alta se mantém.

O dólar furou R$ 5,00, fechando a R$ 4,99, menor cotação desde março de 2024. Os fatores: diferencial de juros de 11 pontos percentuais entre Brasil e Estados Unidos (Selic 14,75% contra Fed Funds 3,75%), otimismo com as negociações Irã-EUA, e fluxo estrangeiro robusto.

Mas atenção: o Focus projeta dólar a R$ 5,37 no fim do ano. Isso é uma alta potencial de 7%. A janela de dólar barato não é permanente. É como aquela janela cirúrgica que se fecha rápido. Se você não opera agora, o próximo slot pode ser semanas depois.

Setor de saúde e destaques

Além da Rede D’Or como top pick simultâneo de BTG e Santander, vale monitorar: Hapvida (HAPV3) segue com desafios regulatórios após reclassificação pela ANS; Raia Drogasil (RADL3) navega bem num cenário de reajuste moderado de medicamentos (3,81%, menor em 20 anos); e, fora da saúde mas merecendo um breve comentário, os bancos americanos tiveram trimestre excepcional, com Morgan Stanley lucrando US$ 5,57 bilhões (+29%), o que sustenta o S&P 500 próximo de 7.000 pontos.

Nos leilões do Tesouro, as LFTs (pós-fixados) voltaram a dominar. O Valor Econômico reportou o aumento nos leilões semanais, e isso é um sinal de alerta. Quando o Tesouro precisa emitir mais pós-fixados, é porque ninguém quer comprar prefixados e indexados à inflação nas taxas oferecidas. É um voto de desconfiança do mercado na trajetória fiscal. Mas para o investidor contrarian, aquele que opera na direção oposta ao sentimento do mercado, é exatamente por isso que os prêmios do IPCA+ estão tão gordos.

5. Painel dos Analistas: o que disseram vozes que importam

Esta seção reúne vozes das mais relevantes da semana, com citações diretas e fontes verificadas. Porque opinião sem nome é ruído. Opinião com nome é informação.

Pablo Spyer (@pablospyer, Instagram, 15/04)

“Bolsa cai e quebra rali de cinco recordes seguidos.” Spyer identificou os quatro temas do dia: negociações EUA-Irã e impacto no petróleo, dados de varejo, Durigan na Fazenda, e a pesquisa Quaest. Quando Spyer fala, o varejo escuta. E o varejo é você, colega.

Charles Mendlowicz (@charles.wicz, Economista Sincero, Instagram, 15/04)

Postou sobre a pesquisa Genial/Quaest: 72% dos brasileiros percebem alta nos preços dos alimentos, 71% queda no poder de compra, 53% dificuldade de emprego. Charles traduziu em palavras o que os números escondem: o rally da bolsa não significa que o Brasil está bem. Significa que quem tem patrimônio financeiro está ganhando enquanto quem vive de salário está perdendo. O médico investidor está dos dois lados dessa equação.

Bruno Perini (@bruno_perini, Instagram, 15/04)

Analisou a inflação persistente com uma analogia provocadora: governos populistas se comportam como alcoolátras. O estímulo monetário funciona como a dose de álcool, gera euforia imediata, mas cria dependência e destruição silenciosa. Uma reflexão que vai além do econômico, entra no moral.

Kobeissi Letter (@KobeissiLetter, Twitter/X, semana de 13-15/04)

A análise mais sofisticada da semana veio de fora do Brasil. O Kobeissi identificou que os yields dos treasuries subiram 50 pontos-base desde o início da guerra e que a zona de 4,50% a 4,70% no 10Y é o limite político de Trump. Além disso, registrou petróleo físico em Omã a US$ 167, recorde absoluto, com prêmio de 72% sobre o preço spot. Se você quer entender o tabuleiro global, Kobeissi é leitura obrigatória.

Ramiro Ferreira (@ramirogomesferreira, Clube do Valor, Instagram, 15/04)

Sobre o dólar abaixo de R$ 5: “Não foi a esquerda, nem a direita. Tem algo maior por trás.” Ramiro aponta corretamente que o carry trade de 11 pontos percentuais e o fluxo global para emergentes explicam mais do que qualquer narrativa política. Fatores globais, não domésticos. E fatores globais mudam rápido. Quem quer dolarizar, a janela está aberta, mas não vai ficar aberta para sempre.

BTG Pactual e Santander (relatórios setoriais, abril/2026)

Ambos elegeram a Rede D’Or como top pick simultaneamente. A tese é convergente: desalavancagem (dívida/EBITDA de 1,54x segundo o BTG), eficiência operacional, crescimento de lucro acima de 20%, e agora o desconto artificial criado pelo overhang do GIC. BTG mantém preço-alvo de R$ 57, upside de 40%. O Itaú BBA projeta mais de 20% de potencial. Quando três bancos concordam, vale prestar atenção.

Valor Econômico (@valoreconomico, Instagram, 15/04)

Reportou que as LFTs dominaram os leilões semanais do Tesouro, acendendo sinal de alerta sobre o perfil da dívida pública. Quando o Tesouro Nacional precisa encurtar o perfil de emissão e concentrar em pós-fixados, o mercado está dizendo: “não confio nos seus números de inflação.” Para o investidor atento, o sinal contrarian é claro: prêmios gordos em IPCA+ existem justamente porque a maioria está fugindo deles.

6. Pilar P4: Escala Patrimonial, o sistema imunológico do seu dinheiro

Colega, esta semana provou uma coisa que eu aprendi com gigantes do mercado financeiro e cuja mensagem eu revérbero há anos: diversificação não é teoria de livro. É sobrevivência.

Na mesma semana, o GIC vendeu R$ 2,5 bilhões em Rede D’Or, o Ibovespa bateu recorde e depois recuou, o dólar furou R$ 5, o petróleo voltou a US$ 103, a inflação estourou o teto da meta, e a pesquisa Quaest virou o jogo eleitoral. Tudo ao mesmo tempo.

O patrimônio precisa funcionar como o sistema imunológico. Quando múltiplas ameaças aparecem simultaneamente, o corpo não entra em pânico. Ativa respostas coordenadas. Anticorpos diferentes para cada invasor. O patrimônio bem alocado faz a mesma coisa: renda fixa absorve a volatilidade das ações, dólar protege contra desvalorização do real, IPCA+ protege contra inflação, e a reserva de emergência garante que você não precisa vender nada na hora errada.

Caso Clínico Financeiro

Paciente: Dra. Camila, 38 anos, cirurgiã geral, São Paulo. Faturamento PJ: R$ 45.000/mês (3 hospitais + consultório particular). Patrimônio: R$ 850.000 (60% CDI, 25% Ibovespa via ETFs, 10% FIIs, 5% poupança). Queixa principal: “Não sei se devo vender RDOR3 depois dessa notícia do GIC, e meu contador disse que preciso mudar a estrutura PJ antes de 2027.”

Diagnóstico financeiro:

Poupança (5% = R$ 42.500). Diagnóstico crítico. A poupança rende cerca de 6,17% ao ano. O Tesouro Selic rende 14,65%. Essa diferença, sobre R$ 42.500, representa quase R$ 3.600 a mais por ano. Em termos de plantão, são dois plantões inteiros que a Dra. Camila está jogando fora. Prescrição: transferir para Tesouro Selic hoje.

CDI (60% = R$ 510.000). Excesso de concentração em pós-fixado. Com a Selic em trajetória de queda (Focus projeta 12,50% no fim do ano), essa rentabilidade vai diminuir. Prescrição: realocar R$ 153.000 (30% do CDI) em Tesouro IPCA+ 2030-2035 e R$ 51.000 (10%) em CDBs prefixados a 14% ao ano, vencimento 2028-2029.

Ibovespa (25% = R$ 212.500). A alta de 22% no ano inflou essa posição. Se incluir RDOR3, há concentração excessiva em saúde. Prescrição: manter, mas não aumentar. Realizar lucro parcial se ultrapassar 30% da carteira.

RDOR3 especificamente. Não vender por pânico. Fundamentos sólidos. Limitar a 5% do patrimônio total (R$ 42.500). Se está acima, reduzir gradualmente.

Internacional (0%). Alerta vermelho. Dolarizar 10% do patrimônio (R$ 85.000) via IVVB11. Com dólar a R$ 4,99, a janela é favorável. Equivale a 1,9 plantões de 24h de cirurgia geral. Investimento que protege contra cenário de cauda.

Tributação 2027. Faturamento anual de R$ 540.000 está abaixo do gatilho de R$ 600 mil. Mas se crescer 12%, ultrapassa. A tributação mínima (IRPFM) começa em 2027. Simular cenários com contador agora, não em dezembro.

Prescrição final: Rebalanceamento urgente. Sair da poupança (hoje). IPCA+ e dolarização (esta semana). Consulta tributária (próximo mês).

Tabela comparativa: onde colocar R$ 150k, R$ 250k e R$ 500k

Produto R$ 150.000 R$ 250.000 R$ 500.000
Tesouro IPCA+ 2030-2035 ~R$ 16.275/ano* ~R$ 27.125/ano* ~R$ 54.250/ano*
CDB Prefixado 14% a.a. ~R$ 17.850/ano ~R$ 29.750/ano ~R$ 59.500/ano
FIIs de papel (IPCA+/CDI) ~R$ 15.000/ano ~R$ 25.000/ano ~R$ 50.000/ano

*Estimativa considerando IPCA de 4,35% (média projetada para o período) + 6,5% real.

Observação: o Tesouro IPCA+ pode ter rentabilidade bruta menor no papel, mas entrega retorno real garantido. Se a inflação disparar para 6% ou 7%, o retorno total sobe junto. O CDB prefixado trava a taxa nominal, excelente se a inflação cair, arriscado se subir. E os FIIs de papel capturam tanto inflação alta (CRIs indexados a IPCA) quanto juros altos (CRIs indexados a CDI), com a vantagem de isenção de IR para pessoa física.

7. Checklist Semanal: 8 ações para esta semana

  • 1Travar CDB prefixado a 14% ao ano, com vencimento entre 2028 e 2029. Diversificar entre 3 a 4 bancos (limite do FGC: R$ 250 mil por CPF por instituição). Essas taxas desaparecem quando o Copom acelerar os cortes.
  • 2Alocar em Tesouro IPCA+ 2030-2035, reservando 25% a 30% da carteira conservadora. Os prêmios acima de 6% real são historicamente altos. Esse é o título que protege contra a inflação que você já está sentindo no supermercado.
  • 3Dolarizar 5% a 10% do patrimônio via IVVB11. Dólar abaixo de R$ 5 é janela favorável. Focus projeta R$ 5,37 no fim do ano. Comprar gradualmente, não de uma vez.
  • 4Rebalancear a carteira se ações ultrapassaram o percentual-alvo. Ibovespa subiu 22,4% no ano. Se seu plano era 30% em ações e agora está em 38%, vender na margem e realocar em renda fixa indexada. Disciplina, não euforia.
  • 5Iniciar a declaração do IRPF 2026. Prazo até 29 de maio. Recibos eletrônicos de saúde são obrigatórios este ano. Separar documentação PJ e PF. Não deixar para a última semana.
  • 6Revisar pró-labore e estrutura PJ com contador especializado. A tributação mínima para rendas acima de R$ 600 mil/ano começa em 2027. A hora de simular cenários é agora, não quando a lei já estiver em vigor.
  • 7Verificar se sua reserva de emergência está em Tesouro Selic, CDB 100% do CDI ou ETFs como POSB11, LTBX11 ou AUPO11. Se ainda está na poupança, você está perdendo o equivalente a dois plantões por ano em rentabilidade desperdiçada.
  • NÃO faça: não venda RDOR3 por pânico. O GIC não fugiu da Rede D’Or. O GIC rebalanceou um portfólio de US$ 770 bilhões. Fundamentos sólidos, lucro crescendo 22%, top pick de BTG e Santander. Se um dos maiores fundos soberanos do mundo rebalanceou com disciplina, você também deveria.

8. O Número da Semana

R$ 2,5 bi
O preço de um rebalanceamento soberano.

R$ 2,5 bilhões. Para dar perspectiva: isso equivale a toda a receita anual de um hospital de médio-grande porte. Equivale a 55.555 plantões de 24 horas a R$ 1.800 cada. Equivale ao patrimônio acumulado de 2.941 médicos com R$ 850 mil cada, como a Dra. Camila do nosso caso clínico.

O GIC de Singapura movimentou essa cifra numa única operação de rebalanceamento. Sem pânico. Sem urgência. Com lockup de 90 dias autoimposto, demonstrando que não pretende vender mais no curto prazo. E o mercado tratou como catástrofe. A RDOR3 caiu 6,11%.

Aqui está a lição que vale mais do que qualquer cifra: o mercado reage com emoção ao que os profissionais fazem com método. A mesma operação que para o GIC foi protocolo, para o varejo foi pânico. A diferença entre os dois não é informação. É temperamento.

Morgan Housel escreveu certa vez que a habilidade mais importante em finanças não é inteligência. É comportamento. R$ 2,5 bilhões em um único dia confirmaram essa tese.

9. Fechamento: o que vem pela frente e por que disciplina é o único remédio

Colega, antes de fechar, olha o que está no horizonte.

A pesquisa Quaest mostrou Flávio Bolsonaro a 42% contra Lula a 40% no segundo turno, primeira vez que lidera. A desaprovação do governo está em 52%. O cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar forma, e historicamente, anos eleitorais aumentam a volatilidade. O mercado já subiu 22% no ano. Se o cenário político se polarizar, parte dos estrangeiros pode realizar lucro.

As LFTs dominando os leilões do Tesouro mostram que o mercado institucional tem medo. Medo de inflação desancorada, medo de trajetória fiscal, medo de promessas eleitorais. Quando os grandes fogem de IPCA+ e prefixados, os prêmios engordam. E aí está a ironia: o medo dos grandes cria oportunidade para os disciplinados.

O Copom se reúne em 28 e 29 de abril. O mercado espera aceleração para 0,50 ponto de corte, levando a Selic para 14,25%. Mas com IPCA desancorado e petróleo acima de US$ 95, o BC está numa encruzilhada. Se cortar rápido demais, perde credibilidade. Se cortar devagar demais, frustra o mercado.

E o médico, no meio disso tudo? O médico que segue os 4 pilares não precisa prever o futuro. Precisa ter a carteira preparada para qualquer futuro. Reserva em Tesouro Selic. Renda fixa indexada à inflação. Ações diversificadas, sem concentração excessiva em saúde. Uma parcela em dólar. E a disciplina de rebalancear quando os números pedem, não quando o emocional grita.

“Você não pode voltar atrás e mudar o começo. Mas pode começar onde está e mudar o final.” — C.S. Lewis

Se você está com a carteira desbalanceada, se ainda tem dinheiro na poupança, se nunca dolarizou, se está concentrado demais num único setor… você não pode mudar as decisões passadas. Mas pode começar a corrigir esta semana.

Que tenhamos a serenidade de não reagir ao ruído, a coragem de agir quando os números pedem, e a sabedoria de distinguir um do outro. Com fé, com prudência, com a mesma disciplina que nos guia dentro de um hospital.

Nos vemos na próxima edição.

Um abraço,

Dr. Francisco Vaz

Neurocirurgião | Assessor de Investimentos (ANCORD)
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Fontes: Banco Central do Brasil, Boletim Focus (13/04/2026), IBGE (IPCA março/2026), GIC (block trade Rede D’Or), JP Morgan (coordenação block trade), BTG Pactual (relatório setorial abril/2026), Santander (relatório setorial abril/2026), Itaú BBA, Pablo Spyer (@pablospyer), Charles Mendlowicz (Economista Sincero), Bruno Perini (@bruno_perini), Kobeissi Letter (@KobeissiLetter), Ramiro Ferreira (Clube do Valor), Valor Econômico, Genial/Quaest (pesquisa eleitoral abril/2026), ANS, Morgan Housel, C.S. Lewis.

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